QUEM FOI SÃO PAULO DA CRUZ
Talvez pouco conhecido pelo povo como o são os santos taumaturgos, Paulo da Cruz se define a si mesmo como “milagre da infinita misericórdia de Deus”. O Amor infinito de Deus, revelado na Paixão e morte do seu Filho, foi a “divina loucura” que arrebatou, modelou e fez de Paulo um santo, um ardoroso missionário, um místico apaixonado, o grande arauto da Paixão de Cristo.
Nascido em 1694, em Ovada – Itália, Paulo Francisco Danei foi modelando e sendo modelado em seu ser Passionista, em meio a um ambiente familiar de intensa piedade, mas também de inúmeras provações e sofrimentos: morte precoce de 10 dos seus 15 irmãos, empobrecimento, migrações, etc.
Aos 19 anos, Paulo passa pela experiência de ser “tocado” pelo Senhor e chamado a colocar toda a sua vida ao seu serviço. Cheio de generosidade, se alistou na Cruzada promovida pelo Papa Clemente XI; mas em adoração diante do Santíssimo Sacramento compreendeu que deveria combater na construção do Reino servindo-se de outras armas!!...
Em meio ao lusco-fusco da vida, Paulo permaneceu na escuta da vontade do Senhor, na tentativa de decifrar os seus caminhos: Viver na solidão como eremita? Ingressar em alguma Congregação Religiosa? Permanecer com os seus?
A resposta somente se tornou clara, no verão de 1720, aos 26 anos de idade, quando “visitado” pela Virgem Maria, compreendeu que deveria reunir companheiros e fundar uma Congregação em que, os membros vestindo-se de luto, promovessem a contínua lembrança dos sofrimentos de Jesus.
Assim, com a aprovação do seu diretor espiritual, Dom Gattinara, em 21 de novembro de 1720, Paulo deixou sua família para iniciar um novo gênero de vida: era o nascimento da Congregação e da Família Passionista.
Após um retiro de 40 dias (de 23/11/1720 a 1º/01/1721), na cidade de Castellazzo - Itália, no qual viveu profundas experiências místicas, Paulo da Cruz – este é seu novo nome – iniciou sua longa e árdua caminhada para dar vida ao projeto que lhe fora inspirado: reunir companheiros, conseguir a aprovação pontifícia, construir os retiros (nome dado aos conventos passionistas), etc.
Em 1727, quando servia os doentes em Roma, juntamente com seu irmão, João Batista – fiel companheiro nas dificuldades e nos sonhos – foi ordenado sacerdote pelo Papa Bento XII.
Além de grande místico – o maior do seu século – São Paulo da Cruz também foi ardoroso e incansável missionário. Apesar de todas as dificuldades próprias do seu tempo, quando as viagens quase sempre eram feitas a pé, com poucos objetos para ajudar e, claro, quando ainda não havia microfones, Paulo pregou mais de 200 missões, 70 retiros, sem mencionar sua enorme dedicação na direção espiritual de pessoas das mais diferentes condições e estados de vida. Foram milhares de cartas escritas com este objetivo.
A força necessária para tanta dedicação vinha dos longos e intensos momentos passados em contemplação diante do Crucifixo, do qual colhia todo o ardor, convicção e persuasão de sua eloqüência que arrebatava multidões e conduzia muitos ao amor e temor a Deus. Entre os seus ouvintes estavam incluídos admiradores e penitentes e até mesmo soldados em guerra e bandidos.
Embora fosse, como ele tanto desejava, uma alma fogo de amor, que abrasava em Deus quem passava perto dele, fogo de amor que nos abrasa até hoje, Paulo da Cruz – caso único em toda a hagiografia – sofreu por quase 50 anos a mais difícil e desafiadora prova para uma alma apaixonada por Deus: a noite escura da fé e a aridez espiritual.
Mas como em um paradoxo, ainda hoje ele nos inflama através dos seus escritos: cartas (mais de 2 mil sobras da destruição), o Diário Espiritual (escrito no retiro de Castellazzo), as Regras, o Tratado da Morte Mística – que em nada deixam a desejar diante da condensada doutrina mística de São João da Cruz e Teresa d’Ávila.
Talvez o fruto mais maduro da sua longa jornada com Deus, tenha sido a fundação das Monjas Passionistas em 1771, quando Paulo, já idoso e doente, não pode estar presente para ver realizado o sonho acalentado e cultivado por tantos anos, em meio a grandes sofrimentos, provações, incertezas e esperanças e na formação espiritual das 11 primeiras aspirantes – suas filhas espirituais que deram vida ao “ninho das Pombas do Calvário”.
Paulo faleceu em Roma, aos 18 de outubro de 1775, com 81 anos de idade e com sua obra, nos legou uma árvore frondosa, na qual muitos viriam encontrar inspiração para viver: são os diversos ramos nascidos do Carisma Paulocruciano que fazem parte da Família Passionista formada por: Religiosos (padres e irmãos), Monjas, Religiosas de vida apostólica (diversas Congregações), Instituto Secular e leigos passionistas