Conta-se
que quando o Papa Bento XIV, em 1741, aprovou as Regras da Congregação
Passionista, fundada por São Paulo da Cruz, teria dito: “Esta Congregação que
deveria ter sido a primeira a ser fundada, só veio surgir agora!”. O Papa, de
certa forma, se referia à centralidade do Carisma Passionista dentro da vida da
Igreja. Não dá para negar: “É impossível ser cristão se não se é Passionista”.
E
isto vale para todos os tempos. Ou melhor, ultrapassa o tempo e alcança o vértice
da eternidade: o livro do Apocalipse deixa claro que, todos que estão no céu são
Passionistas, pois “lavaram e alvejaram suas vestes no Sangue do Cordeiro (Ap.
7,14)”, o Cordeiro Imolado (Ap. 5,6.9.12), que mesmo ressuscitado, ostenta suas
“chagas gloriosas” (Jo.20,20.27), como título de glória de um amor que
ultrapassa tudo e vence até a morte.
Mas
voltemos os olhos para a terra e contemplemos a nossa sociedade atual, fruto de
decepções marxistas, freudianas, comunistas, socialistas, capitalistas, neoliberalistas,
secularistas, do puro império da tecnologia, da robótica, etc., que se colocam
acima da pessoa humana. Contemplemos o nossa “casa”, a natureza que - mais do
que nunca - chora as dores de parto (Rm. 8,22), de um parto abortivo
desnecessário, fruto da irresponsável ganância de uns poucos, mas de todos nós
que perdemos a ternura.
Cristo
no alto da Cruz continua sendo “o remédio para todos os males do nosso tempo”
(São Paulo da Cruz). De braços abertos, Ele nos convida a entrelaçar os nossos
braços formando uma grande corrente, uma grande roda, onde se coloca a vida
no centro. É preciso que salvos pelo Sangue da sua Cruz, embebidos do seu amor,
assumamos em nós os mesmos sentimentos que O levou até a Cruz, na sua Paixão
pela humanidade.
Penso
que todas as ideologias falharam até aqui, porque a humanidade, a vida precisa
mesmo é de amor. De razão, ciência, sim, mas nascidas de um amor verdadeiro
mais forte que o pecado, o egoísmo e a morte. É preciso que o ser humano
mantenha os olhos fixos na Cruz, atraídos, fascinados, confortados por um Amor
que ama sempre sem nenhuma fraqueza. Amor que é fonte, onde se dessedenta a
necessidade de ser amado, amada; mas de onde se brota toda força para amar na
gratuidade, no empenho, na entrega da vida para que haja mais vida para todos,
inclusive para o nosso planeta carente da nossa ternura.
Enquanto
houver crucificados, e em nosso meio a força perversa que crucifica, é preciso
que a Cruz permaneça diante dos nossos olhos, para que lembremos que devemos
ser humanos para tornarmo-nos divinos.
Oxalá
se apresse o dia em que o discurso sobre os crucificados se torne
desatualizado, porque eles, com a nossa ação amorosa, não mais existam. Mas,
mesmo assim, continuaremos cantando as glórias da Santa Cruz como o hino dos
totalmente libertos.

